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Copiar/cortar e colar: RIP Larry Tesler

No último dia 20 de fevereiro foi anunciada a morte de Larry Tesler. Na manchete da sessão de tecnologia da BBC, publicada no dia, lê-se: “Larry Tesler: Computer scientist behind cut, copy and paste dies aged 74”.


Quem era, afinal, Larry Tesler?


Larry Tesler chegou ao Vale do Silício em 1961, com 16 anos de idade, já como aluno da Universidade de Stanford. A própria BBC publicou uma história sobre Larry em 2012, quando o repórter Rory Cellan-Jones o entrevistou.

A entrevista com a BBC em 2012 ocorreu no restaurante Buck’s em Woodside, conhecido palco para diversos empreendedores do Vale do Silício apresentarem novas idéias a potenciais investidores. “O proprietário [do Buck’s] nos disse que o Hotmail foi fundado na nossa mesa, e apontou para uma sala nos fundos, onde, segundo ele, a ideia do PayPal havia surgido.”


Na entrevista, Tesler conta sobre sua passagem em empresas como a Xerox, Apple, Yahoo e Amazon e sobre trabalhar com Steve Jobs e Jeff Bezos. Porém a parte mais interessante da entrevista é quando Tesler fala sobre a cultura do Vale do Silício.

"Há quase um rito de passagem - depois que você ganha dinheiro, você não se aposenta; você passa a financiar outras empresas. Há um elemento muito forte nessa cultura do Vale do Silício que é o entusiasmo, o fato de você poder compartilhar com a próxima geração o que você aprendeu."


Cut, copy, paste

Larry se tornou conhecido por ter inventado alguns comandos clássicos que hoje nos parecem banais. Entre eles estão o copiar/cortar e colar (cut/copy, paste) e o buscar/substituir (find/replace). A Tesler também é atribuído o termo “user-friendly”. Ao longo de toda a sua vida ele se dedicou a facilitar a interação humano/máquina, tornando computadores acessíveis para todos, e não apenas para técnicos e experts em informática.

Formado na Stanford University, já no início dos anos 60, ainda como estudante, ele trabalhou no Stanford Artificial Intelligence Laboratory (SAIL). Porém poucos anos mais tarde ele mesmo reconheceu que a inteligência artificial ainda não seria uma tecnologia utilizável por um bom tempo, e migrou para o campo da interação humano/máquina, entrando no Xerox PARC (Centro de Pesquisa Palo Alto da Xerox). O primeiro projeto em que se envolveu foi o Xerox Alto, o primeiro sistema computacional da história baseado na chamada interface gráfica do usuário, ou graphical user interface (GUI).


Os computadores antes da GUI


Desde o surgimento dos primeiros computadores, a interação usuário/máquina se fazia via texto – na chamada interface de linha de comando. O programador, técnico ou usuário digitava os comandos em código em uma tela preta, e o computador respondia neste mesmo formato, mostrando o que estava fazendo – o que estava computando.

Larry e seu colega na Xerox, Tim Mott, começaram a escrever sobre suas ideias em relação ao futuro da interação humana com computadores. Na opinião deles, as interfaces de usuário, até então baseadas em texto, se converteriam em interfaces gráficas, com ícones para representar arquivos e formas geométricas clicáveis, por exemplo. Foi a partir dessas ideias que os dois desenvolveram a função básica de copiar e colar – hoje um recurso padrão em todos os computadores.

Foi também neste contexto que Tesler começou a se manifestar contra interfaces de modo, ou modais, defendendo que todas as ações devem estar disponíveis para o usuário o tempo todo, ao contrário do que ocorre nas ações modais, que exigem que o usuário entre em um modo específico para executá-las.

Xerox Alto e Gypsy


O Gypsy, que Tesler e Mott desenvolveram para o computador Xerox Alto, foi o primeiro sistema de preparação de documentos com mouse e interface gráfica do usuário (GUI), praticamente eliminando modos. O Xerox Alto entrou em uso em março de 1973, uma década antes de máquinas e sistemas GUI se tornarem amplamente disponíveis no mercado.

O Xerox Alto e seu monitor modo retrato

O Alto logo se tornou bastante comentado no Vale do Silício, tornando-se referência do futuro da interação humano/máquina. Em 1979, Steve Jobs realizou duas visitas ao Xerox PARC, no qual o pessoal da recém-fundada Apple Computer receberia uma demonstração da tecnologia da Xerox em troca da Xerox poder comprar ações da Apple. Um ano depois, Tesler e alguns outros funcionários da Xerox PARC deixaram a empresa para se juntar à Apple na criação do Apple Lisa e posteriormente do Macintosh, consolidando definitivamente as GUIs. Ali nascia também um campo profissional bastante conhecido por nós hoje: o design gráfico.

No modes

Tesler manteve sua forte preferência por aplicativos sem modos por toda a vida. Em 1995, ele instalou em seu carro uma chapa personalizada com o texto "NOMODES". Ele também usava a frase "Don't Mode Me In", como muitos de seus colegas, como um grito de guerra para eliminar ou reduzir o uso de modos. O endereço do seu site pessoal é nomodes.com. E sua conta no Twitter? @nomodes.

Para saber mais sobre modos e outros termos do nosso admirável mundo novo, clique no foguete em qualquer página do site!




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